quarta-feira, 2 de março de 2016

INDULGÊNCIA

Os livres de coração submetem contemplar sem prejulgar
Alcançam o amor sem quantificar,
Sem fazer qualquer comparação,
Sem reclamar de qualquer desatenção!

No tumulto, a cooperação é o fôlego do sossego,
E a aparência não será pré-requisito de anuência!

É preciso desapaixonar dos entusiasmos, posses e trajes
E nos presentear com a flor do desapego.
Para que antes de adentrar no pomar dos sonhos felizes,
Nós possamos fechar os olhos do ego com seu apressado preconceito!

Caio Dagher

terça-feira, 1 de março de 2016

APRENDIZ

Devagar aprendo que amor-requinte
Só daqui alguns vinte anos,
Na condição de ouvinte e contribuinte.

Fora disso, terei um amor-aprendiz,
Imaturo, contudo, dono de uma paixão matriz e,
De um sentimento diretriz.

Caio Dagher

sexta-feira, 29 de maio de 2015

SAUDADE

Saudade se confunde com carência. Saudade é quieta. Carência aflige. Na saudade há sorrisos discretos. Na carência há prantos incompletos. Na saudade há compreensão. Na carência há confusão.
Saudade é singular, carência abre exceção para o plural. O caminho da saudade é assim: amor + dor = compreensão. O caminho da carência é assim: paixão + apego = ansiedade. Saudade faz bem. Faz bem para quem tem, sem essas de suposições e interrogações sem essas conjunções adversativas: porém, entretanto, contudo, etc. Saudade é um sinal de que, o que passou foi especial. Contudo, não quer dizer tudo, nem mesmo omitir nada, tão só um anúncio da alma pra mostrar que valeu a pena. Saudade é a cena que se repete de propósito, para revelar outro jeito diferente e amadurecido de interpretar o amor. Pois amar é deixar partir, é acreditar no efeito do tempo, que leva e traz na velocidade luz. Na velocidade que só o amor de verdade compreende. A saudade entende que foi melhor. A saudade entende que a vida sempre tem algo admirável pra nos propor e, que o só no fim do decurso nós compreendemos todo esse discurso.

Caio Dagher

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O TEMPO E O CORAÇÃO


A vida sobrevém numa velocidade intensa. E isso, dá uma sensação de que o tempo é cada vez mais escasso. Dá a sensação que o “TEMPO DO CORAÇÃO” fica cada vez mais longe da “UNIDADE DE MEDIDA DE TEMPO” que tem por base a velocidade de rotação da Terra.

Dito de outra forma, parece que não há tempo pra assimilar os pensamentos e sentimentos, não há tempo para digerir os fatos, entender as mudanças, as perdas e, nem mesmo aproveitar os frutos. As horas engolem o “TEMPO DO AMOR”! Por isso é preciso praticar na arte de persistir em coisas que não são mundanas! Nesse mundo a paixão é mais presente que o amor. É a ordem natural dos sentidos, diante da expectativa de que o prazer do homem contemporâneo está localizada na vontade exagerada do ter, ou de possuir, como condição, ou, requisito indispensável para ser feliz.

E essa sensação de que o tempo é cada vez mais insuficiente, advém dos efeitos implicações do comportamento movido exclusivamente pela paixão. Exemplo disso é um homem entorpecido pela droga, não se vê satisfeito com a porção consumida, muito menos, contente com o tempo que teve para usufruir da substância estupefaciente. Paixões humanas são assim, desejos que podem extrapolar tornando-se anseios insaciáveis, em VONTADES-EXTRAS que começam com uma força devastadora e terminam de uma forma insatisfatória. Contrário das coisas que começam por amor e que terminam também por amor. O grande desafio é transformar aquilo que começou pela paixão, terminar por amor.

Já que a afoiteza de ter, não nos deixa ser. Já que geralmente, por imaturidade e carência optamos começar os episódios da vida pelas vias inseguras da paixão. Façamos um pacto com a força lucida de nossa alma, de tentar transformar o que vem ligeiro, terminar em algo mais sereno, e assimilativo como os sentimentos mansos que surgem quando observamos as coisas sem julgar e ceticamente qualificar. Em outras palavras, façamos da paixão, um desafio moral, um ponto inicial dos anseios de nossa alma. Façamos com que a paixão transforme em amor. Amor este, que não se acaba como a paixão acaba.

Por isso que a calma é uma virtude difícil de ser adquirida nesse mundo que nos fixa num tempo e espaço certo e exato, sendo algo, que no fundo nossa alma ainda rejeita, pois ela é livre e transcendente. A alma ainda apanha muito da pressa que há na rotina dos dias, meses e anos, compondo assim, o tempo da nossa vida aqui na terra. O amor costuma ter o mesmo tempo que a alma tem pra se esclarecer, diante os desafios da evolução moral, num ensaio de perder e ganhar, pra depois compreender, que com o amor você troca o verbo perder, pelo verbo libertar. Isto é, o amor liberta e, a dor aperta. Deve ser por isso que os sábios dizem que a vida no céu, não têm o tempo nem espaço que aqui na terra temos.

E se nossa alma nasceu lá, ela ainda demorará pra se acostumar com a afobação que possui nossos desejos e paixões mundanas.


Caio Dagher

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

TEMPO É TUDO

As amarguras de uma ausência indefinida,
Comumente corroí a alma.
Uma falta, uma saudade de um mundo feliz,
Ou de uma parte perdida e aprendiz, chamada calma.

Pra agora, resta à resiliência,
Resignação e fé na intuição.
Pois paciência é o dom de confiar,
Naquilo que só o tempo traz bem devagar.
Tempo é tudo.
No princípio é mudo, mas no fim costuma ilustrar quase tudo.


Caio Dagher

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

REDIRECIONAR

Tem hora que dá vontade de sair de mansinho, recauchutar outro caminho, seguindo a beira do lago ao lado de quem atêm aos meus passos, sopros e traços, ao lado de quem não sindicalize meus trajes, minhas crises e afagos.



 Caio Dagher  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ENSAIO SOBRE A RETIDÃO

Em tempos de duelos,
É sábio abrigar as flores,
Engolir a sede por vingança,
Recolher os sabres inquietos,
Agasalhar as dores e os berros,
Pois as armas são aferros incertos,
São fados apertos,
Imensuráveis desconcertos para o coração.

Caio Dagher