sexta-feira, 29 de maio de 2015

SAUDADE

Saudade se confunde com carência. Saudade é quieta. Carência aflige. Na saudade há sorrisos discretos. Na carência há prantos incompletos. Na saudade há compreensão. Na carência há confusão.
Saudade é singular, carência abre exceção para o plural. O caminho da saudade é assim: amor + dor = compreensão. O caminho da carência é assim: paixão + apego = ansiedade. Saudade faz bem. Faz bem para quem tem, sem essas de suposições e interrogações sem essas conjunções adversativas: porém, entretanto, contudo, etc. Saudade é um sinal de que, o que passou foi especial. Contudo, não quer dizer tudo, nem mesmo omitir nada, tão só um anúncio da alma pra mostrar que valeu a pena. Saudade é a cena que se repete de propósito, para revelar outro jeito diferente e amadurecido de interpretar o amor. Pois amar é deixar partir, é acreditar no efeito do tempo, que leva e traz na velocidade luz. Na velocidade que só o amor de verdade compreende. A saudade entende que foi melhor. A saudade entende que a vida sempre tem algo admirável pra nos propor e, que o só no fim do decurso nós compreendemos todo esse discurso.

Caio Dagher

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O TEMPO E O CORAÇÃO


A vida sobrevém numa velocidade intensa. E isso, dá uma sensação de que o tempo é cada vez mais escasso. Dá a sensação que o “TEMPO DO CORAÇÃO” fica cada vez mais longe da “UNIDADE DE MEDIDA DE TEMPO” que tem por base a velocidade de rotação da Terra.

Dito de outra forma, parece que não há tempo pra assimilar os pensamentos e sentimentos, não há tempo para digerir os fatos, entender as mudanças, as perdas e, nem mesmo aproveitar os frutos. As horas engolem o “TEMPO DO AMOR”! Por isso é preciso praticar na arte de persistir em coisas que não são mundanas! Nesse mundo a paixão é mais presente que o amor. É a ordem natural dos sentidos, diante da expectativa de que o prazer do homem contemporâneo está localizada na vontade exagerada do ter, ou de possuir, como condição, ou, requisito indispensável para ser feliz.

E essa sensação de que o tempo é cada vez mais insuficiente, advém dos efeitos implicações do comportamento movido exclusivamente pela paixão. Exemplo disso é um homem entorpecido pela droga, não se vê satisfeito com a porção consumida, muito menos, contente com o tempo que teve para usufruir da substância estupefaciente. Paixões humanas são assim, desejos que podem extrapolar tornando-se anseios insaciáveis, em VONTADES-EXTRAS que começam com uma força devastadora e terminam de uma forma insatisfatória. Contrário das coisas que começam por amor e que terminam também por amor. O grande desafio é transformar aquilo que começou pela paixão, terminar por amor.

Já que a afoiteza de ter, não nos deixa ser. Já que geralmente, por imaturidade e carência optamos começar os episódios da vida pelas vias inseguras da paixão. Façamos um pacto com a força lucida de nossa alma, de tentar transformar o que vem ligeiro, terminar em algo mais sereno, e assimilativo como os sentimentos mansos que surgem quando observamos as coisas sem julgar e ceticamente qualificar. Em outras palavras, façamos da paixão, um desafio moral, um ponto inicial dos anseios de nossa alma. Façamos com que a paixão transforme em amor. Amor este, que não se acaba como a paixão acaba.

Por isso que a calma é uma virtude difícil de ser adquirida nesse mundo que nos fixa num tempo e espaço certo e exato, sendo algo, que no fundo nossa alma ainda rejeita, pois ela é livre e transcendente. A alma ainda apanha muito da pressa que há na rotina dos dias, meses e anos, compondo assim, o tempo da nossa vida aqui na terra. O amor costuma ter o mesmo tempo que a alma tem pra se esclarecer, diante os desafios da evolução moral, num ensaio de perder e ganhar, pra depois compreender, que com o amor você troca o verbo perder, pelo verbo libertar. Isto é, o amor liberta e, a dor aperta. Deve ser por isso que os sábios dizem que a vida no céu, não têm o tempo nem espaço que aqui na terra temos.

E se nossa alma nasceu lá, ela ainda demorará pra se acostumar com a afobação que possui nossos desejos e paixões mundanas.


Caio Dagher

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

TEMPO É TUDO

As amarguras de uma ausência indefinida,
Comumente corroí a alma.
Uma falta, uma saudade de um mundo feliz,
Ou de uma parte perdida e aprendiz, chamada calma.

Pra agora, resta à resiliência,
Resignação e fé na intuição.
Pois paciência é o dom de confiar,
Naquilo que só o tempo traz bem devagar.
Tempo é tudo.
No princípio é mudo, mas no fim costuma ilustrar quase tudo.


Caio Dagher

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

REDIRECIONAR

Tem hora que dá vontade de sair de mansinho, recauchutar outro caminho, seguindo a beira do lago ao lado de quem atêm aos meus passos, sopros e traços, ao lado de quem não sindicalize meus trajes, minhas crises e afagos.



 Caio Dagher  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ENSAIO SOBRE A RETIDÃO

Em tempos de duelos,
É sábio abrigar as flores,
Engolir a sede por vingança,
Recolher os sabres inquietos,
Agasalhar as dores e os berros,
Pois as armas são aferros incertos,
São fados apertos,
Imensuráveis desconcertos para o coração.

Caio Dagher

terça-feira, 3 de junho de 2014

ASSIMILANDO INFINITIVOS DA LIBERDADE

Deixar para trás? Difícil, não? (Desapegar, consentir, entender).
Pra esgotar e resolver o dilema é preciso usar esses três verbos.

Assimilando a essência dos infinitivos, você descobre que DESAPEGAR é o fruto mais benéfico que há, pois se deu com a compreensão.  Compreensão que afasta a ternura da angústia, desata a razão das fantasias e, desliga a dor da dúvida.

Descobre também, que CONSENTIR é a aceitação da lei sublime da ação e reação, da afinidade e atração cósmica do amor. Em outras palavras, é aceitar que tudo tem um fim. Se houve fim, foi porque a cognição perdeu aderência, ou seja, os caminhos se acasalam, mas nem sempre trafegam juntos. Consentir é permitir outro começo, outra visão da vida e seus dilemas. Permitir é deixar que ação e a reação manifestem seus efeitos novamente, pois tudo muda, nós transformamos e, os encantos serão outros. Consentir também é tolerar. Tolerar a mudança, o desgosto, a bagunça que vem, todavia, também vai. Só permanece se não arrumamos o quarto. Quarto? Aquele quarto que guardamos nossos segredos, desfechos e brasões. Nosso CORAÇÃO!

Descobre por final, sobre o entender. Entender é aceitar. Aceitar é a manifestação de seu presente mais intimo e mais puro. Aceitar o presente é o mesmo que estar capacitado e disposto a ser feliz. Pois ninguém é feliz lembrando o ontem, nem abreviando o amanhã.


É?


segunda-feira, 19 de maio de 2014

TRANSITÓRIO

É tão bom conversar, ser entendido e compreendido não é? É tão cordial falar dos sentimentos internos, das percepções existenciais sem se atentar com prejulgamentos. É tão bom ser você por inteiro e, não precisar omitir sua essência. É tão bom ser obreiro do contentamento de um amigo, de ser escudeiro de algum grande segredo, de ser a confiança leal de alguém. Pena que nem sempre é assim. Ainda somos tão carentes, tão inconstantes, um tanto hipotéticos e, por vezes, céticos. Há tantas desilusões neste mundo repleto de teorias sobre o amor, sobre a dor, sobre a fé, sobre o conhecimento.  O que sabemos sobre a vida? Sofremos muito ao tentar estabelecer teorias, conceitos sobre as coisas, sobre as pessoas e seus sentimentos. Sofremos por antecipação. Se tudo é transitório, pra que se apegar no que ficou ou no que está por vir? Decepcionamos-nos com tanta facilidade. Ora, que vaidade tão nata, que presunção estúpida é essa, se a falha é sempre nossa, por projetar em alguém uma falsa concepção, uma rompante expectativa de nossos bel-prazeres. Sempre vamos nos decepcionar, se acharmos que o outro seja aquilo que pensamos. Oh ilusão, meu irmão! E o que é ser certo, num mundo de tantas incertezas, em um mundo de tantos conflitos sentimentais, sociais e espirituais. O mais importante é tentar. Procurar ser melhor, ser um homem de bem. As riquezas desta vida estão no esclarecimento. No entendimento sobre nossa passagem, sobre nosso propósito. No fundo cada um sabe o que veio fazer aqui. Conhecimento trás liberdade. Não estacione, tentando constituir suposições sobre o mundo e as pessoas, porque tudo muda. Bom é ser um homem de bem, trilhar quietamente. Estudar, amar e respeitar os distraídos e desfavorecidos, pois o mundo precisa de honestidade, de retidão e compaixão.

Quem caminha assim, não há como não ser feliz. Há espaço para todos nesse mundo. Somos protagonistas de nossas próprias vidas e herdeiros de nós mesmos.


 Caio Abrão Dagher